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  • Franciele Maftum

Como entender e lidar com o medo

Você sabia que o medo é a primeira emoção que sentimos quando nascemos e, mesmo sendo a nossa primeira emoção, é a mais difícil de conseguirmos regular?


Você tem receio dese arriscar? Tem muita ansiedade em relação a coisas novas acontecendo ao seu redor ou tem medo de errar? Você tem medos irracionais ou fobias? Medo de se expor ou medo do que as pessoas vão dizer para você? Você tem ansiedade generalizada causada por medo?


No texto de hoje, vou falar bastante sobre esse assunto. Ele irá te ajudar a se conhecer melhor, aprender a regular as suas emoções e aprender a fazer isso com os outros, seja com os seus filhos, os seus alunos ou os seus colegas de trabalho.


De acordo com diversos estudos neurocientíficos, a amídgala cerebral, desde os tempos dos primatas, é aparte do nosso cérebro que é acionada para nos avisar sobre os perigos que podemos estar passando e que, nessa situação, precisamos ter medo. Um bebe, por exemplo, quando nasce tem praticamente só a amidgala cerebral funcionando.


O medo é uma emoção natural e uma emoção adaptativa. E o que isso quer dizer?


Significa que o medo serve para nos ajudar a sobreviver e, por isso, que chamamos de emoção adaptativa na psicologia. Por exemplo, se eu não tenho medo do fogo, eu posso colocar a minha mão na fogueira e acabar sendo queimado.


Mas, então, qual é o problemade sentirmos medo?


O problema é quando o medo começa a tomar uma proporção social (ou não social) maior do que ele precisava ter. O problema é quando começamos a ter medo de dizer o que pensamos, ter medo de errar, ter medo de ser exposto, ter medo do que vão achar de nós, ter medo de tentar coisas novas ou ter medo de fazer novos amigos. Nesse momento, começamos a limitar nossa vida em cima desse medo.


Há uns dias, descobri um livro chamado “Eu e o medo”, de Francesca Sanna, apesar de ser classificado como um conto infanto-juvenil, ele é bastante educativo também para os adultos aprenderem a lidar com essa emoção. O livro conta a história de uma menina que, ao mudar de país, sentiu tanto medo de não fazer parte de um grupo em sua nova escola, que a fez querer ficar sozinha.

O livro ilustra o medo como um bichinho, bem pequenininho, que se conecta dentro do coração da garota e fica dizendo: “cuidado com isso, cuidado com aquilo”. E, de repente, sem perceber que esse bichinho está lhe fazendo mal, ela deixa de falar sobre ele. E esse bichinho pequenino começa a crescer e a menina começa a criar novos medos de coisas/situações que não tinha antes. Esse medo fica tão grande, que ele se torna maior do que ela.


É exatamente assim que o medo age no nosso cérebro, à medida que deixamos que ele cresça, sem falar sobre ele e sem receber apoio, vai se tornando maior do que aquilo nós podemos lidar.


Por exemplo: se você acha que não pode fracassar, começará a ver o fracasso como uma ameaça, assim, o medo será acionado toda vez que estiver nessa situação. Outro exemplo, se você tem medo de ser incompetente, toda vez que alguém falar algo que você não saiba, o seu medo será acionado. O medo toma grandes proporções à medida que damos importância para ele, que é o que chamamos de medo disfuncional: dar uma importância maior do que ele realmente tem.


Em cima desses medos, nascem as ansiedades; as crises de pânico; e as depressões. Então, o medo que é uma emoção adaptativa tão importante na nossa vida, passa a ser prejudicial na medida em que não conseguimos acessá-lo e entendê-lo, pois quando não conseguimos regular e gerenciar nossos medos, ele acaba tomando uma proporção muito maior do que deveria tomar. Em consequência disso, nós vivemos, hoje, com pessoas que agem de acordo com os seus medos ao invés de agir de acordo com suas vontades e seus desejos.


Existe, também, muita gente que diz não sentir medo de nada e isso é impossível. Uma vez que uma pessoa não sinta medo/receio de alguma coisa, ela deve procurar ajuda de especialistas, pois, para a psicologia, o único perfil psicológico que permite não sentir medo de nada é a psicopatia. Então, lembre-sede que é importante sentir medo, pois ele está ligado ao nosso instinto. A chave é saber encontrar o equilíbrio entre o medo saudável (aquele da emoção adaptativa) e o medo que nos bloqueia.


Voltando à história do livro, um coleguinha de classe, de repente, chega para conversar com a menina novata e a convida para brincar, e ela, mesmo com medo, aceita. Aos poucos, todo aquele medo gigante que ela sentia, vai diminuindo. Ela começa a perceber que ele também tem medos e que todos os amiguinhos dela também sentem medo, cada um de um jeito, cada um com a sua cara. A menina começa a entender, então, que tudo bem ter medo, que ela só precisava aprender a falar sobre ele para que o medo não ficasse maior do que ela.


Falar sobre o medo é uma maneira muito eficaz de regular o nosso sentimento ede entender o que está acontecendo. É importante que a gente possa nomear nossos medos e dar forma para eles. É importante que não olhemos para os nossos medos como um monstro em nossas vidas, o medo é importante para a nossa sobrevivência, ele não existe para nos fazer mal. Para regular essas emoções, tanto com as crianças quanto com adultos, precisamos nomear nossos medos, dar uma forma e dar uma intensidade para essa emoção. Começar a perceberem quais momentos esse medo aparece nas nossas vidas e quais são os sintomas que nosso corpo nos dá para demonstrar que estamos com medo.


Assim,toda vez que sentirmos isso,vamos tentar diminuir esse medo de tamanho para que agente consiga viver mais pelos nossos desejos e menos pelos nossos receios.


Você não precisa e não deve lidar com esse sentimento sozinho. É importante você falar sobre suas emoções, é importante você se sentir apoiado.


E, apesar de ser muito triste viver de acordo com nossos medos, essa situação é muito frequente, porque aprendemos isso durante toda a nossa educação. Quando começamos a frequentar a escola, por exemplo, nós aprendemos a temerasnotas baixas, a reprovação enão ser aceito pelos nossos colegas. Muitos alunos deixam de questionar o professor com alguma questão, por medo de ser reprimido pelo professor ou medo que seus colegas achem a sua pergunta muito tola. E, assim, o aluno se cala e o seu medo só aumenta.


Quando entramos na universidade, já entramos com medo do nosso futuro, com medo de fracassar, com medo de não ser alguém “bem sucedido” na vida, com medo de se sentir incompetente diante dos professores e colegas. E a universidade deveria ser um lugar em que as pessoas entram com a intenção de se descobrir, de testar novas áreas e novas habilidades.


Quando pensamos no mundo corporativo, também é fácil de visualizar essa situação: em muitas organizações, o medo de errar, o medo da punição, o medo de não atingir as metas são os fatores que guiam a caminhada do profissional.


Enfim, quis apresentar para vocês essa forma, dentre inúmeras outras, de como regularos nossos medos. E deixo a recomendação desse livro que é uma leitura muito bacana para que você consiga lidar com seu medo de uma maneira muito mais sábia. Não deixando com que ele cresça e tome conta de você.


Franciele Maftum

#éohorademudaromundo

Clique aqui para acessar esse conteúdo no youtube: <https://youtu.be/1P6Co5-GNIY<


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