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  • Franciele Maftum

Por que as emoções estão tão alteradas nesse momento?

Por que as suas emoções estão tão alteradas? O que está acontecendo com você, agora, nesse período de crise que não está conseguindo entender?

Depois de receber muitas demandas de pessoas, grupos e instituições para que eu fale e ajude as pessoas a lidar com alguns estados emocionais que, agora, estão sendo notados, resolvi explicar para vocês o motivo das nossas emoções estarem alteradas e porque isso é esperado. Até que ponto essas alterações estão dentro da normalidade[1] e saudáveis?

Em momentos de estresse eminente – que é o que estamos vivenciando agora – ou de trauma eminente – situações traumáticas que podem ficar marcadas na história e dentro de nós – nosso sistema nervoso busca informações no passado para processar o que está acontecendo, para ver se encontra alguma memória similar para que ele consiga entender e acalmar dando uma resposta para ele mesmo. Entretanto, ao fazer esse processo de busca em uma memória antiga, nós chegamos a uma constatação que a maioria de nós já não está muito bem mentalmente e emocionalmente. Em dados da OMC, temos a informação que uma a cada cinco pessoas têm ou já desenvolveu ansiedade generalizada e outros distúrbios de humor. Não sei dizer, ao certo, números de depressão, pois eles mudam todo ano, mas os números são muito parecidos com a ansiedade. Aqui não estamos falando de pânico, de transtorno pós-traumático e oscilações de humor que não fazem bem para nós.

Porém, conseguimos entender que nós já estamos em um lugar em que não conseguimos lidar com as nossas emoções e que, muitos de nós, já tem uma ansiedade que está fora da normalidade, uma oscilação de humor além da conta, crises de pânico que já não são mais funcionais para a nossa vida e etc.

Pensando no cérebro de adolescentes e adultos, quando ele vai buscar uma informação de trauma ou crise eminente para tentar entender e saber como reagir (corporalmente e mentalmente), ele já está com a sua mente disfuncional, então essa busca ocorre com o seu filtro da ansiedade, de tensão e de estresse. Além disso, muitos de nós, já estamos com o cérebro alterado (viciado em compulsões mentais, compulsões físicas ou em recompensas muito rápidas). Com esse cenário, o seu cérebro já faz um busca de uma maneira que não é tão funcional no sentido de saudável e, quando ele consegue buscar essas memórias, a grande maioria da população possui memórias de infância ou de traumas passados que são completamente expressivas, estressantes, agonizantes, ou seja, memórias ruins. E que, muitas vezes, elas já estavam esquecidas ou adormecidas.

Então, ao buscar essas memórias, o nosso cérebro as ativa de volta, pois é o que temos codificado que aconteceu anteriormente e nós passamos a reviver essas memórias do passado – têm pessoas que vão lembrar e reviver e outras pessoas que vão viver a sensação de agonia de já ter sentido antes, mas que é muito maior do que aquilo que conseguem dar conta.

Esse é o motivo de nós estarmos tão desregulados nesse momento. Existe, obviamente, aquilo que é esperado que a nossa mente faça, ou seja, é normal sentir um pouco de confusão mental, porque a nossa mente estará o tempo todo fazendo esse processo de buscar informações para fechar uma história. O nosso cérebro, para aprender e acalmar, precisa fechar uma informação (ter começo, meio e fim da história). E a maneira que cada um faz isso é muito peculiar e, alguns, já fazem isso de maneira disfuncional, ou seja, você busca fechar as suas informações nas compulsões, nas ansiedades, na depressão e nos vícios.

Quando o nosso cérebro tenta fechar a informação - e temos esses traumas de infância e adolescência - é isso que ele vai trazer de emoção. Alguns de nós teremos essa consciência e outros não. Nesse momento, começamos a sentir ansiedade, depressão e desanimo muito além do normal, que já não é mais esperado para um momento de estresse eminente como esse.

O que é esperado você sentir em um momento como esse? (no sentido que é esperado, mas, mesmo assim, você tem que lidar com isso para que não se torne um trauma que no futuro será acionado).

- Confusão em alguns dias (não em todos);

- Cansaço mental, porque o seu cérebro está o tempo todo tentando buscar essas informações;

- Sono além do normal, porque você está em um processo letárgico do seu cérebro conseguir funcionar em um ambiente estranho;

- Ansiedades e tristezas em alguns dias, porém, esses sentimentos vão ter nomes, por exemplo: eu estou ansioso por não saber o que vai acontecer ou estou triste porque estou com medo;

- Excesso ou diminuição de apetite.

Atenção: Sentir ansiedade e tristeza é normal quando esse sentimento não permanece com você o dia todo ou em grande parte do dia. Também, é normal você passar o dia nesses estados, mas, no outro, acordar bem e descansado. É normal que os nossos sentimentos e emoções fiquem mais elevados, pois, nesse momento, estamos em estado de alerta.

O que não é normal e não é saudável?

- Reviver os traumas e não saber o que fazer com eles;

- Ficar oscilando entre a angústia, depressão, ansiedade, preocupação em excesso, corpo travado, etc. (oscilar e permanecer nessa oscilação na maior parte do seu tempo).

No momento, temos muitas pessoas que estão vivenciando isso, se você é uma delas, não se sinta culpada, pois é mais “forte” do que você e são as suas memórias inconscientes ou conscientes que estão tomando conta nesse momento.

É importante tratar esses sintomas: procure uma ajuda terapêutica. Lembre-se que esse não é o momento de parar aquilo que estava te fazendo bem (terapia, uso de medicamentos, meditação), principalmente, se você tinha uma questão com as suas emoções de não estar funcionando muito bem.

Existem estratégias para você melhorar o seus sintomas:

- Reconheça o que está acontecendo com você;

- Não tente bloquear as suas memórias de passado, pois elas vão continuar aparecendo. Esse é o momento de você entender que a interpretação que você deu não é mais real, você não está no mesmo perigo que estava no passado. Você vai tender a interpretar a situação de uma maneira que não está acontecendo, maximizando o perigo.

- Avalie o quanto é real o seu medo e o quanto não é;

- Não se culpe pelos seus medos;

- Não tente lotar o seu dia com muitas coisas para fazer, para que você não sinta tudo isso;

- Não se compare com as pessoas que estão a sua volta, pois muitas pessoas estão sofrendo e não estão falando sobre isso;

- Fale sobre o que você está sentindo, fale sobre as suas memórias com qualquer pessoa da sua confiança, isso é muito importante, pois é uma maneira de você colocar esse sentimento para fora;

- Escreva sobre isso;

- Faça pequenas sessões de meditações (3 a 5 minutos), colocando os seus sentimentos em suspensão.

Essas estratégias são simples e podem lhe ajudar a alcançar um equilíbrio um pouco maior, porém é muito difícil fazer isso sozinho, pois – dependendo do estágio que o nosso cérebro chegou de ativar memórias – sem conversar com ninguém, nem que seja com um profissional, é mais difícil. É importante que você tenha alguém te suportando nesse momento: pode ser alguém online, alguém na sua casa ou um profissional da saúde que possa te escutar e guiar com algumas estratégias.

Entenda que esse processo vai acontecer com você, principalmente, se você teve memórias traumáticas de infância (qualquer tipo de trauma), por exemplo: abandono interno, abandono aprendido, abuso físico, abuso moral, abuso mental, violência doméstica, vícios dentro de casa, situações de guerra, situações de escassez e etc.

Se você teve períodos na sua infância que viveu alguma dessas situações, provavelmente, você vai reviver isso agora e você pode aprender a ser resiliente . Existem diversos caminhos para te ajudar, comece fazendo esses exercícios que passei.

Franciele Maftum

#éhorademudaromundo

[1] Lembrando que quando eu falo sobre “normalidade”, me refiro ao que é saudável e funcional para a sua vida e para sua mente. Vídeo no Yotube: https://youtu.be/JxyuiMZ-n-Q

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