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  • Franciele Maftum

Como as crenças disfuncionais te impedem de ser feliz

Você já pensou em como e por que nós criamos crenças limitantes? Ou já se perguntou o que acontece com a nossa vida e como que podemos fazer para mudar essas crenças?


Tudo isso tem explicação e já adianto que muitas dessas crenças são resultados de acontecimentos da infância e adolescência, que continua reverberando na vida adulta, através de comportamentos e emoções indesejáveis.


A Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) e a Neurociência conseguem nos explicar que nós não nascemos com as crenças limitantes, nosso cérebro nasce pronto para sentir medo, sentir necessidade de ser alimentado e sentir a necessidade de proximidade física e emocional. As crenças limitantes vão sendo adquiridas à medida que passamos por situações que nos deixam memórias afetivas e que nós as interpretamos.


Por exemplo: Alice é uma criança gosta muito de brincar, porém toda vez que ela sai para brincar com seus colegas, os seus pais dizem para que ela não interfira na brincadeira das crianças mais velhas e que ela deve pedir para brincar, se a resposta for negativa, ela deve compreender e aceitar.


Pensando em uma situação como essa, a criança, assim que seus pais lhe orientassem, sentiria algo, pois a sua amígdala cerebral seria ativada. E por que ela sentiria algo?


Porque a nossa amígdala cerebral prevalece a nossa atenção, principalmente, quando não esperamos que um contexto emocional (qualquer rosto de pessoa; pessoas que nós gostamos; situações em que nos falam sim ou não; reações fisiológicas de necessidades básicas; etc.) venha acontecer.


Quando a amígdala cerebral é acionada, por consequência, ela aciona todo o sistema límbicodo cérebro para que sejam desencadeadas as reações físicas e emocionais.


Quando somos muito pequenos, as nossas primeiras experiências são baseadas no medo, no amor e no suprir as necessidades fisiológicas (que tem a ver com ser nutrido emocionalmentee fisicamente). Começamos com essas emoções e vamos evoluindo para raiva e medo decoisas específicas1.


Obviamente que quanto mais experiências nós vamos passando, mais vamos deixando o sentimento sofisticado. O fato é que uma situação determina o que iremos sentir e quando sentimos alguma coisa, contamos uma história para nós mesmos sobre o que sentimos em uma situação anterior que se relacione com a situação atual.


Voltando ao caso da Alice: a criança sentiu vontade e necessidade de estar junto, mas,quando ela foi pedir para brincar, uma das crianças disse que não.


Nesse momento, é muito possível que ela tenha sentido uma leve tristeza ou uma rejeição.


Quando ela chega a casa, sua mãe lhe conta uma história de que, às vezes, ela vai querer algo dos mais velhos e eles não vão querer compartilhar.


Portanto, a história que a criança ouviu é que quando isso acontece, ela deve acatar a decisão dos mais velhos e acreditar nessa história.


Quando somos criança, geralmente, escutamos dos outros essas histórias. Entretanto, elas também podem ser criadas por nós mesmos.


Por exemplo, vamos supor que a Alice interpretou sozinha, sem ninguém lhe falar nada, que as crianças mais velhas não a querem por perto. Então, ela mesma conta uma história e passa a acreditar que as crianças mais velhas fazem com que ela se sinta inferior.


Por mais complexo que isso seja, esse é o processo que vai seguindo as situações com os nossos pensamentos e sentimentos. À medida que a criança conta uma história para ela mesma, ela passa a acreditar nisso. E quando acredita, dá um significado para esse sentimento.


No caso da Alice, ela entendeu que se sentir rejeitado não é bom, porque ela se sente inferior às outras crianças mais velhas. Portanto, ela criará uma regra que deve evitar situações de convivência com as crianças mais velhas, para não se sentir rejeitada. Regra criada, crença estabelecida, comportamento começa a se repetir baseado em algo que ela acredita que é ocorreto para ela.


E essa regra acontece quando a criança vive apenas uma única vez essa situação?


Não. É na repetição que vamos criando essa experiência, nesse exemplo que eu dei para vocês, não vai ser na primeira vez que a Alice irá acreditar e criar como uma regra. Nós precisamos de uma determinada repetição e que não, necessariamente, acontece no mesmo cenário. Pode ser que a Alice tenha vivido a situação com as crianças mais velhas; depois outra situação em casa com seu tio lhe ensinando que quando os adultos conversam, as crianças devem ficar caladas; e depois em outra situação quando os seus avós a obrigam a abraça-lós quando ela não tinha essa vontade, etc.


O que acontece é que isso se torna–como chamamos hoje–comportamento de defesa, ou seja, uma proteção que criamos para nós mesmos para nos resguardar desse sentimento de rejeição.


O que fazer para se proteger e defender de se sentir triste e rejeitado?


Nós nos comportamos da maneira que nos ensinaram ou que nós acreditamos que nos ensinaram ou que criamos essa maneira de se comportar – com raiva ou com gritos – na tentativa de nos defender daquilo que sentimos.


Nós, adultos, infelizmente, nas nossas infâncias desaprendemosa acreditar que aquilo que desejamos é possível, e que a podemos dar vasão. Isso não quer dizer que vamos sempre conseguir, mas quer dizer que sempre podemos acreditar.


Então, quando a criança continua tentando e tentando é sinal de que ela está viva lá dentro.

Quando a criança já está completamente adaptada, já se comporta da maneira que todo mundo espera, ou seja, deixou de tentar para agradar o meio, para sobreviver emocionalmente e para evitar sentir coisas ruins em relação a ela mesma.


E quando essa criançase tornar adulto?


A Alice ainda usará esse comportamento de defesa, pode ser que ela tenha aprendido a se defender com raiva. Então, perto de hierarquia, logo irá se comportar na raiva. Ou, talvez, ela tenha aprendido a se defender na adaptabilidade. Então, simplesmente se cala nas hierarquiase faz o que tem que ser feito e suprimindo aquilo que sente.


Observem que não estamos falando de regular a emoção, porque nem chegamos à nossa emoção. Por causa de uma crença disfuncional que acontece no meio do caminho, nós não acionamosos os nossos sentimentos. E, se acionamos, a crença disfuncional faz com que não consiga regular os sentimentos e continuamos a nos defender.


O problema está no meio do caminho e vivemos uma vida sempre nos comportando de determinada maneira e tendo resultados muito parecidos. Começamosa ver que o mundo opera dessa forma, acreditamos nisso e nos tornamos adultos com uma crença disfuncional. E passamos a tratar as outras pessoas, interpretar as situações das outras pessoas, tudo através da nossa crença disfuncional. Équando começamos a ter um comportamento muito projetivo.


Muitas vezes, começamos a achar que não estamos dentro dos nossos próprios problemas ou vamos para outro extremo de achar que nós somos os culpados por todos os problemas – que é a crençado “eu não valho a pena”.


Resultados de uma vida de crenças disfuncionais reforçadas

  • Índice de ansiedade e fadiga altíssimo;

  • Relações de trabalho danificadas;

  • As pessoas buscando só resultados de performancede sucesso;

  • Todo mundo achando que o sucesso é o que determina o valor e a competência.


As universidades e as escolas, em sua grande maioria, são as que mais reforçam essas crenças.


Então o que mudar? E como mudar?


Se o seu processo é a crença disfuncional, é ela que você mudará.


Existem diversas abordagens e teorias sobre como muda-las. Mas, a maneira que eu uso há anos (tanto individualmente, quanto em grupos) é de você acionar os sentimentos através das crenças disfuncionais. Por quê?


Porque os sentimentos estão adormecidos ou exacerbados enão conseguimos entender o que sentimos e muito menos regular esses sentimentos. A regulação não entra nesse processo, ela é um passo depois. Eu sinto algo, identifico-o, regulo-o e eu conto uma historia real e me comporto sem defesas.


Por que não aprender só a regular as suas emoções?


Porque você irá tirar a defesa, mas continuará disfuncional, ou seja, você vai continuar sentindo muito as coisas ou não sentindo nada. Regular as emoções através das crenças disfuncionais faz com que você tenha que aprender a lidar com aquilo dentro de você, que foi criado como uma regra e que não está mais funcionando para a sua vida, para sua felicidade, para os seus relacionamentos, para a sua coragem de iniciar os seus projetos pessoais e profissionais de vida, sem pensar que você deve ao mundo alguma explicação.


Basicamente, nós vamos estimulando o nosso cérebro com comportamentos, frases e pensamentos para que ele traga respostas diferentes nas crenças disfuncionais. Quanto mais respostas diferentes ele for trazendo emocionalmente, mais nós vamos acolhendo essas emoções e identificando-as, fazendo as emoções nos transformarem e nos provarem que as nossas crenças disfuncionais estavam realmente erradas.



Franciele Maftum

#éhorademudaromundo


Clique aqui para acessar esse conteúdo youtube: https://youtu.be/THOSPio4ZAk


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